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Orientações para manutenção da Qualidade para Água Purificada para uso farmacêutico

O controle da qualidade da água para uso farmacêutico é fundamental, devido ao amplo uso da água em laboratórios, seja no preparo de fórmulas farmacêuticas e cosméticas ou, ainda, nas  diversas etapas de higienização destes ambientes. 

O controle de qualidade microbiológico deve ser prioridade, visto que alguns microrganismos podem se proliferar nos reservatórios, caixas d’água, nos componentes dos sistemas de tratamento e de distribuição da água para uso farmacêutico. Portanto, é importante minimizar a contaminação microbiológica por meio da aplicação de medidas de controle adequadas.

No artigo desta semana vamos falar sobre:

  • as principais legislações que regulamentam os quesitos de qualidade da água para uso farmacêutico; 
  • os parâmetros exigidos; 
  • as tecnologias de Produção de Água Purificada e; 
  • as medidas de controle para evitar contaminações nos Sistemas de Purificação de Água para uso farmacêutico.

Quais são as principais legislações que regulamentam os quesitos de qualidade da água para uso farmacêutico? 

No Brasil, os requisitos de qualidade da água para uso farmacêutico são estabelecidos  em normas técnicas de Boas Práticas de Fabricação (BPF) e também na  Farmacopeia Brasileira, 6º Edição. O regulamento técnico vigente que descreve os princípios de BPF é a RDC nº. 17, de Abril de 2010. 

A Microambiental sabe a importância de implementar melhorias contínuas nos processos de purificação da água, com o intuito de reduzir possíveis riscos de contaminação. Por isso, neste artigo descrevemos os cuidados e as medidas de controle necessárias para os sistemas de Produção de Água Purificada para uso farmacêutico considerando as principais legislações citadas acima.

Quais são os parâmetros de purificação da água?

O processo de purificação da água para uso farmacêutico consiste na eliminação de impurezas físico-químicas, biológicas e microbiológicas até se obterem níveis preestabelecidos pelas autoridades sanitárias.

Na tabela abaixo, listamos as principais classes de água utilizadas no setor farmacêutico, suas características, os padrões de qualidade da água e a sua aplicação: 

Água Potável: 

  • Características: é obtida de mananciais ou da rede de distribuição pública; 
  • Padrões de Qualidade: Portaria GM/MS nº 888;
  • Aplicação: higienização dos ambientes e alimentação dos sistemas de purificação.

Água Purificada:

  • Características: Pode ser obtida por osmose reversa ou por combinação de técnicas de purificação a partir da água potável. Níveis variáveis de contaminação orgânica e bacteriana. Exige cuidados de forma a evitar a contaminação química e microbiológica.
  • Padrões de Qualidade: 
  • Condutividade máxima de 1,3 µS/cm a 25,0 °C (resistividade > 1,0 MΩ-cm); 
  • COT ≤ 0,50 mg/L;
  • Contagem de bactérias heterotróficas: no máximo, 100 UFC/mL;
  • Ausência de Pseudomonas sp e coliformes.
  • Aplicação: Produção de medicamentos e cosméticos, farmácias, lavagem de material, preparo de soluções reagentes, meios de cultura, tampões, diluições, aplicações diversas na maioria dos laboratórios, principalmente em análises qualitativas ou quantitativas menos exigentes.

Água para injetáveis:

  • Características: Água purificada tratada por destilação ou similar. 
  • Padrões de Qualidade:
  • Atende aos requisitos químicos da água purificada e exige controle de endotoxinas.
  • Contagem de bactérias heterotróficas: no máximo, 10 UFC/100 mL.
  • Endotoxinas < 0,25 UE/mL.
  •  Ausência de Pseudomonas sp e coliformes.
  • Aplicação: utilizado como veículo ou solvente de injetáveis, fabricação de princípios ativos de uso parenteral, lavagem final de equipamentos, tubulações e recipientes usados em preparações parenterais.

Água ultrapurificada:

  • Características: água purificada tratada por destilação ou tecnologia similar. 
  • Padrões de Qualidade: 
  • Condutividade máxima de 0,1 µS/cm a 25,0 °C (resistividade > 18,0 MΩ-cm);
  • COT ≤ 0,50 mg/L; 
  • Contagem de bactérias heterotróficas: no máximo, 10 UFC/100 mL.
  •  Endotoxinas: < 0,25 UE/mL.
  •  Ausência de Pseudomonas sp e coliformes.
  • Aplicação: Dosagem de resíduos minerais, orgânicos, endotoxinas, cultivo celular e preparações farmacêuticas que requeiram água de alta pureza. 

Vale ressaltar que todos os dados disponibilizados acima utilizamos como referência a Farmacopeia Brasileira 6º edição.

Tecnologias de Produção de Água Purificada e cuidados para evitar contaminações

Geralmente a Água Purificada é produzida através de deionizadores, osmose reversa, eletro-deionização ou a combinação dessas tecnologias.

Entretanto, os sistemas de Purificação da Água mantidos em temperatura ambiente, tais como deionizadores e osmose reversa são mais susceptíveis a contaminação microbiológica, principalmente quando o equipamento permanece estático durante algum tempo, devem ser tomadas precauções especiais para evitar o desenvolvimento e a proliferação de microrganismos. 

Abaixo listamos as tecnologias, suas características e os cuidados para evitarmos contaminação do sistema:  

Deionização e eletro-deionização: 

São eficazes para a remoção de sais inorgânicos dissolvidos por resinas de troca iônica específicas para cátions e para ânions. Esse processo isolado não produz água de alta pureza, pois o processo libera pequenos fragmentos da resina, facilita o crescimento de microrganismos e promove baixa remoção de resíduos orgânicos. A deionização é uma etapa muito útil como pré-tratamento da água, pela sua eficiência na remoção de íons. 

Osmose Reversa: 

A técnica mais empregada como etapa final de tratamento para a produção da Água Purificada é a osmose reversa, pois faz a remoção de substâncias como compostos orgânicos e inorgânicos, bactérias e pirogênios, com tamanho inferior a 0,001 μm.

Dentre os inconvenientes relacionados às membranas de osmose reversa destaca-se a formação de incrustações provenientes de sais de cálcio, magnésio e de biofilmes.

Destilação: 

A água de alimentação para esses equipamentos requer controles diferentes dos utilizados na osmose reversa. Nesse caso, precisamos nos atentar na concentração de silicatos e a possibilidade de carregamento de compostos voláteis. Para isso, é importante realizar o controle de impurezas orgânicas, como trihalometanos e gases dissolvidos na água, como dióxido de carbono e amônia. Assim, é fundamental o controle da água potável de entrada.

Quais medidas de controle devemos adotar para os sistemas de purificação de água para uso farmacêutico? 

Cuidados com o sistema de água potável (alimentação): 

A água potável é a matéria-prima para a Água Purificada. Contudo, a água da rede pública de abastecimento pode conter cloretos e substâncias orgânicas voláteis que possuem um tamanho físico menor do que a água, as membranas semipermeáveis usadas na osmose reversa não são capazes de retê-los. 

Além disso, os principais parâmetros microbiológicos considerados pela legislação brasileira  para água potável são os Coliformes Totais e Escherichia coli. Assim, a água potável pode ter a presença de alguns microrganismos que estão mais frequentemente associados à produção de biofilmes, tais como os Enterococcus spp, Klebsiela pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa e Staphylococccus aureus.

Abaixo listamos algumas medidas controle para aplicarmos nos sistemas de água potável visando melhorar a qualidade da água de alimentação e garantindo o melhor funcionamento do sistema de purificação: 

  • Realizar Análises da Água Potável: o ponto fundamental para qualquer processo de purificação de água é a qualidade da água de alimentação do sistema. Além disso, a RDC nº. 17, de Abril de 2010 estabelece que as fontes de água e a água tratada devem ser monitoradas regularmente quanto à qualidade química e microbiológica;
  • Aplique um sistema de pré tratamento da água:  o  sistema deverá conter filtros de pré tratamento (multimídia, leito misto, carvão ativado,  abrandador). Esses filtros iniciais vão realizar a desmineralização da água, reter agentes oxidantes, microorganismos e partículas maiores, como areia e sedimentos em suspensão na água de abastecimento, evitando problemas de deposição e incrustação, que irão causar perda na eficiência do sistema de osmose reversa pelo entupimento de membranas. 

Para saber mais sobre as etapas do processo de purificação de água, acesse aqui.

  • Limpeza de Caixas d’água e Reservatórios: deve-se realizar semestralmente a higienização de reservatórios de água potável. Além disso, é importante que a empresa utilize tecnologias, como as da Microambiental, que removem os biofilmes no processo semestral de higienização dos reservatórios da água de alimentação do sistema. 
  • Dosagem de Biocida (cloração): a concentração de solução biocida adequada nos sistemas de água potável (alimentação) ajuda a controlar a presença de bactérias de vida livre (planctônicas), diminuindo a possibilidade de possíveis contaminações; 

Cuidados com o sistema de purificação de água: 

  • Análises de Água Purificada: realize análises físico-químicas e microbiológicas da Água Purificada  trimestralmente, visando monitorar o processo. 
  • Higienização do Sistema de Purificação: o processo de higienização consiste na remoção de biofilmes nas membranas, resinas e nas paredes dos purificadores com agente sanitizante adequado; 
  • Verifique periodicamente as membranas do sistema de osmose reversa e as resinas dos sistemas de desionização; 
  • Verifique o nível de saturação dos pré filtros e de carvão ativado;
  • Realize a limpeza e troca periódica das mangueiras que comunicam o filtro de água com o equipamento destilador de água.

A MICROAMBIENTAL POSSUI UM CONJUNTO DE SERVIÇOS PARA MONITORAR A QUALIDADE DA ÁGUA: 

A Microambiental é uma empresa com mais de 20 anos de experiência em controle microbiológico em água. Dispomos de soluções completas para monitorar a qualidade da água de produção e o desenvolvimento de biofilmes.  Além disso, contamos com uma equipe de atendimento técnico que presta assessoria aos clientes na resolução de não conformidades nas análises.





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