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Banheiras de Hotéis e o Risco da Bactéria Legionella

Depois de um dia inteiro de viagem, poucas coisas parecem tão convidativas quanto uma banheira de hidromassagem aquecida. Só que esse mesmo cenário, água morna, borbulhante e parada por horas entre um uso e outro, é exatamente o que a bactéria Legionella precisa para se multiplicar.

Em julho de 1976, mais de 2 mil integrantes da American Legion se reuniram em um hotel na Filadélfia. Dias depois, dezenas começaram a apresentar febre alta e falta de ar. 

O caso ficou conhecido como o primeiro surto documentado de uma bactéria até então desconhecida: a Legionella. Cinquenta anos depois, o risco em banheiras de hotéis continua presente, só que hoje existe metodologia para controlá-lo. 

Este artigo explica por que banheiras de hotéis são um dos pontos mais críticos para a proliferação de Legionella, quais sinais de alerta um gestor ou hóspede pode observar, e o que a legislação brasileira exige de quem opera esse tipo de instalação.

Por que a legionella se instala em banheiras

Legionella é uma bactéria oportunista que se desenvolve naturalmente em ambientes aquáticos, tanto em corpos d’água naturais, como rios e lagos, quanto em sistemas artificiais construídos pelo homem, como reservatórios, torres de resfriamento e banheiras de hidromassagem.

A transmissão acontece por inalação de gotículas de água contaminada suspensas no ar, nunca de pessoa para pessoa. Isso torna as banheiras de hidromassagem um ambiente particularmente propício, onde os jatos aerossolizam a água exatamente na altura da respiração do usuário.

Existem mais de 50 espécies e subespécies de Legionella catalogadas, mas a grande maioria dos casos clínicos (cerca de 75%) está associada a uma única espécie, a Legionella pneumophila.

Por que a combinação água quente e estagnação é tão perigosa

A Legionella sobrevive bem em temperaturas amenas, abaixo de 55°C, faixa que coincide justamente com a temperatura de conforto mantida em banheiras e spas. Some a isso a estagnação, trechos de baixo uso, tubulações com difícil acesso a manutenção e o cenário fica ainda mais favorável à bactéria.

Imagine uma banheira de hidromassagem usada apenas nos fins de semana, com a água do sistema recirculando morna durante toda a semana sem uso efetivo. Esse é exatamente o tipo de condição que favorece a formação de biofilme e a multiplicação bacteriana.

O biofilme, aquela camada viscosa que se forma em tubulações, funciona como um abrigo. Bactérias, protozoários e algas se instalam nele, e a Legionella encontra ali um ambiente protegido contra a ação de desinfetantes.

Os principais fatores que favorecem a proliferação

  • Temperatura da água entre 32°C e 40°C, faixa ideal de crescimento da bactéria em ambientes aquosos.
  • Baixa concentração de cloro livre, o que permite que biofilmes se formem sem controle.
  • Estagnação e baixa renovação de água em sistemas de recirculação fechados.

As consequências quando não se dá a devida atenção à Legionella

A infecção por Legionella pode causar duas doenças distintas. A Febre Pontiac tem quadro semelhante ao de uma gripe, sem pneumonia, e não costuma deixar sequelas. Já a Doença dos Legionários é uma pneumonia grave, com período de incubação de 2 a 10 dias.

Os sintomas incluem febre alta, calafrios, tosse, dor torácica e, em parte dos casos, confusão mental. Estudos internacionais apontam taxa de letalidade entre 10% e 30% para a Doença dos Legionários, dependendo do perfil do paciente e da agilidade do diagnóstico.

Esse último ponto é crítico: como os sintomas se parecem com os de uma pneumonia, muitos médicos não solicitam o teste específico para Legionella sem uma suspeita direcionada, e os antibióticos usados para pneumonia comum costumam ser ineficazes contra essa bactéria.

O que a legislação brasileira exige

O Brasil conta com uma norma técnica específica para esse risco: a ABNT NBR 16.824, que estabelece o método de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) aplicado ao controle de Legionella em sistemas de distribuição de água predial.

Internacionalmente, duas referências complementam o cenário regulatório. A ASHRAE Standard 188, dos Estados Unidos, orienta programas de gestão de risco para Legionella em edificações. Já o HSE/UK Approved Code of Practice L8, do Reino Unido, é referência legal para controle da bactéria em sistemas prediais.

Como a Microambiental apoia hotéis no controle de Legionella

Avaliar o risco de Legionella em banheiras de hidromassagem exige exige um plano de amostragem tecnicamente definido, com pontos críticos mapeados conforme a NBR 16.824.

A Microambiental é integrante da REBLAS e realiza análises acreditadas conforme a ISO/IEC 17025, com escopo que inclui Legionella spp, L. pneumophila SG1 e SG2-14, bactérias heterotróficas e cloro livre. 

A equipe própria de coleta em campo garante amostragem correta nos pontos críticos, como banheiras, chuveiros, boiler e reservatórios de água, tudo isso sem oferecer risco de contaminação da amostra.

Quando o laudo aponta presença de Legionella, o suporte técnico pós-laudo orienta o responsável predial na definição das ações corretivas, incluindo ajuste do programa de biocida. 

Os resultados ficam disponíveis via portal digital, acessíveis a qualquer momento para auditorias e vistorias.

Perguntas frequentes

1) Com que frequência um hotel deve monitorar a Legionella nas banheiras de hidromassagem?

A recomendação técnica é de análise trimestral, no mínimo, para banheiras e demais pontos críticos do sistema de água quente. Hotéis com histórico de não conformidade podem precisar de frequência maior.

2) Cloro é suficiente para eliminar a Legionella em banheiras aquecidas?

O hipoclorito de sódio perde estabilidade em temperaturas elevadas, o que reduz sua eficácia contra Legionella em água quente. Biocidas como o hipoclorito de cálcio mantêm efeito residual mais prolongado nessas condições.

3) Quais documentos o gestor hoteleiro precisa apresentar em uma fiscalização de vigilância sanitária?

Laudos laboratoriais recentes dos pontos críticos do sistema de água, registro do plano de amostragem e evidência de ações corretivas tomadas em caso de não conformidade anterior.





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