Pontos de Amostragem para Água de Hemodiálise
A qualidade da água de hemodiálise é um dos elementos centrais na segurança assistencial, e por isso a RDC 11/2014 estabelece requisitos rigorosos para monitoramento, tratamento e controle microbiológico dessa água.
Logo no início do circuito, ainda no ponto de captação, a água já deixa de ser considerada “convencional” e passa a ser matéria-prima, no qual impurezas, endotoxinas ou microorganismos podem representar riscos imediatos ao paciente renal crônico.
Pontos de amostragem para água de hemodiálise são, portanto, um pilar fundamental de vigilância sanitária, e compreender quais são esses pontos, por que eles existem e como amostrar cada um deles é o que permite que gestores de serviços de diálise atendam à legislação e mantenham o risco sob controle.
Este artigo sintetiza toda a lógica de amostragem do circuito fechado, as recomendações para osmose reversa portátil, além de apresentar um fluxo prático de coleta em cada etapa, baseado na RDC 11, no entendimento técnico da Microambiental.
O que são os pontos de amostragem em hemodiálise?
Pontos de amostragem são locais específicos do sistema de tratamento e distribuição de água purificada onde são coletadas amostras periódicas para avaliar parâmetros físico-químicos, microbiológicos e de endotoxinas.
A RDC 11 define que todas as unidades de diálise devem monitorar a qualidade da água desde a entrada (água potável) até o dialisador, garantindo que cada etapa esteja dentro dos níveis de ação estabelecidos.
Cada ponto cumpre uma função diferente de vigilância, e um desvio isolado pode indicar falha de componentes críticos, como carvão ativado, membranas, filtros de sedimentos ou problemas de crescimento microbiológico.
Por que a definição correta dos pontos é essencial para a segurança do paciente?
Consequentemente, qualquer falha no processo pode desencadear manifestações clínicas imediatas, como febre, calafrios e reações inflamatórias, podendo evoluir, em situações mais graves, para quadros de sepse.
Além desses riscos diretos ao paciente, as unidades de diálise operam em um ambiente particularmente propício à formação de biofilmes.
O sistema de água de hemodiálise reúne condições favoráveis ao crescimento microbiano, pois é um circuito fechado, com ausência de Cloro e composto por longas linhas de distribuição. Essa combinação cria um cenário ideal para a colonização de bactérias.
Por esse motivo, o monitoramento rigoroso de todos os pontos de amostragem torna-se indispensável, permitindo identificar precocemente qualquer indício de biofilme e prevenir contaminações que comprometam a segurança do paciente.
Quais são os pontos do circuito fechado definidos pela RDC 11?
A RDC 11 determina que o plano de amostragem deve contemplar cinco pontos obrigatórios no sistema de água para hemodiálise. São eles:

1. Água potável – captação (de acordo com Portaria 888)
Primeiro ponto de controle. A água bruta antes do pré-tratamento permite avaliar se a fonte (SAA ou poço artesiano) atende aos padrões mínimos de potabilidade, de acordo com a Portaria 888.
Coleta típica: análise mensal de parâmetros básicos quando houver risco identificado ou recomendação técnica.
2. Água potável após pré-filtração
Ponto destinado a verificar a eficiência inicial do sistema de pré-tratamento (filtros de sedimento, carvão ativado, abrandador).
Desvios comuns: saturação de carvão ativado, saturação de resinas, sobrecarga de particulados.
3. Pós-osmose – água purificada
É o ponto mais sensível do sistema. A RDC 11 determina explícita periodicidade:
Mensal: Contagem de Bactérias Heterotróficas (Contagem de Bactérias Heterotróficas), Coliformes Totais e Endotoxina.
Semestral: Parâmetros físico-químicos de acordo com o Quadro II da Resolução.
4. Pós-osmose – sala de processamento e loop
Ponto que avalia a integridade microbiológica do circuito fechado. Aqui, qualquer crescimento indica biofilme no retorno, tubulações mal sanitizadas ou falhas nos processos de recirculação.
5. Dialisato
Amostragem realizada em cada máquina de diálise. Avalia a mistura final de água purificada com concentrados. É o ponto diretamente relacionado ao paciente.
A RDC 11 estabelece que todas as máquinas de diálise sejam analisadas pelo menos uma vez dentro de um ano ou quando o paciente tiver sintomas de bacteremia ou reações pirogênicas.
Quais são os benefícios de um plano de amostragem estruturado?
Ao adotar os pontos corretos, a periodicidade obrigatória e o fluxo operacional adequado, o serviço de diálise obtém:
rastreabilidade sanitária completa do sistema;
- detecção precoce de falhas, evitando contaminações;
- atendimento pleno à RDC 11, reduzindo riscos de autuações;
- aumento da vida útil de membranas e filtros;
- maior confiabilidade para equipe clínica, auditores e Vigilância Sanitária.
Além disso, ao manter a água dentro dos níveis de ação, reduz-se a probabilidade de eventos adversos nos pacientes, um benefício clínico inegociável.
Como a Microambiental apoia serviços de diálise no controle de água?
A Microambiental atua com abordagem integral, unindo análises laboratoriais certificadas, equipe técnica treinada, rastreamento de resultados e consultoria personalizada. Nos sistemas de hemodiálise, trabalhamos com:
- definição e validação dos pontos de amostragem conforme RDC 11;
- execução de coletas com técnica profissional;
- análises microbiológicas e físico-químicas;
- apoio na interpretação de resultados;
Com laboratório acreditado ISO 17025 e integração a programas internacionais de proficiência, garantimos segurança analítica e precisão.
Atributos essenciais para ambientes em que qualquer desvio pode impactar diretamente a saúde do paciente renal.
Para implementar um plano completo, entre em contato com os especialistas da Microambiental e assegure a segurança do seu sistema.
FAQ
1. A RDC 11 determina pontos específicos para osmose portátil?
Não. A norma não detalha pontos ou periodicidade para sistemas portáteis. Por isso a Microambiental recomenda aplicar o escopo dos pontos pós-osmose do circuito fechado, com um único ponto de coleta na saída do equipamento.
2. Qual é o ponto mais crítico do circuito fechado?
O ponto pós-osmose (ponto 3) é o mais sensível, pois revela diretamente a eficiência das membranas e possíveis contaminações por endotoxinas.
3. Por que é necessário coletar no loop (ponto 4)?
Porque o loop é o local de maior risco para formação de biofilmes. Isso permite detectar contaminações que não aparecem no ponto pós-osmose.
4. O dialisato sempre deve ser analisado?
Sim. A RDC 11 determina análise mensal de Contagem de Bactérias Heterotróficasno dialisato, pois ele representa a mistura final que entra em contato com o equipamento durante a terapia.
5. É possível ampliar a frequência quando há não conformidade?
Sim. Quando se identifica qualquer desvio, é recomendada coleta adicional para monitorar a eficácia das ações corretivas.








